Ando tão desmotivada. Odeio o mês de Setembro, sempre odiei. Ando apática, ando sem vontade de nada, sonolenta. Ando com a sensação de que vou ter uma explosão de choro a qualquer momento. Ando mesmo... As coisas passam-me pela frente e nem reparo. Ando esquecida de tudo e de todos. Não me sinto bem em O.H. por nunca ter momentos só meus, sem ouvir ninguém como não me sinto bem em Aveiro por estar sempre sozinha e, no entanto, se estou com as pessoas que mais adoro tanto num sítio como noutro e aparentemente me estou a divertir e a sorrir e distraída, há sempre algo, uma conversa, um gesto, há sempre um pormenor que me relembra que sou, por natureza, uma pessoa pessimista e depressiva. Andei o primeiro ano da licenciatura sempre alegre, pensei que tinha conseguido modificar quem era definitivamente, mas meteram-se as férias e o isolamento outra vez e foi como que uma saudade até de quem eu era. Mas agora, agora incomoda-me mesmo estar assim. E ao mesmo tempo só me apetece conformar que sou assim.
Eu não gosto de ser assim. Adorei a pessoa que fui no ano passado. Realmente uma pessoa se não está bem consigo própria, não está bem com o mundo, seja no norte ou no sul, nas montanhas ou na praia. É impossível. Quero tanto voltar a ganhar aquela vida que já acredito que existe em mim... Acho que o único momento em que me sinto mais abstraída destes sentimentos mais propícios é mesmo nas aulas de condução. É aquela novidade diferente, cativante que me torna numa aventureira de mim própria. Há falta de acção na minha vida, a verdade é essa... Não gosto da mudança e da novidade mas ao mesmo tempo fazem-me bem estes pequenos momentos de agitação e desafio. Eu quero mesmo acreditar que se estou assim é porque algo bom irá acontecer brevemente e me vai mudar outra vez, mas até lá...





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