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26.5.20

farsa.

Que teatro, que fingimento, que falsidade! As personagens são dissimuladas em tudo, até ao mínimo respirar, ao insignificante piscar de olhos. As suas falas são puros momentos de calúnias compulsivas, motivadas por escândalos descomunais.
E são armadilhas, teias de rudeza tecidas por enormes aracnídeos da sociedade. Predadores de pequenos insectos que surgem neste mundo apenas com esse propósito. Serem comidos!
O tom da minha caligrafia acentua-se e agora observo que até a ponta da caneta consegue ter mais força para suportar o peso das minhas palavras. Palavras que cortam a pele mais delicada, confundem mentes débeis, atacam corações imperfeitos.
Cena após cena, a manipulação continua. No fim de todos os actos o público aplaude na sua ingenuidade, sem sequer desconfiarem do conteúdo escondido nas didascálias. Assim que a pesada cortina cai, é levantado o pó da realidade e, com ele, o choque da verdade. A irritabilidade por se ter caído nas manápulas do engano. A mágoa e desilusão por se ter confiado a vulnerabilidade própria num alguém desprezível. Infelizmente de farsas está a literatura repleta, esta será só mais uma a acumular...

26.4.20

Ainda da minha triste vida

O meu chefe (lol) marcou-me num daqueles desafios de partilhar 10 álbuns de música que goste e marcar mais 10 amigos. Por incrível que pareça é-me mais difícil arranjar as 10 pessoas que os álbums... 

27.3.20

Everyday is silent and grey.

De súbito, a aurora dilacera-me. A minha cabeça lateja sem cessar um dia que seja. Recordo com curiosidade e alguma saudade todos os sonhos que me envolveram enquanto os olhos me trancavam da realidade. Abstracções umas atrás das outras, sinto-me perdida no fascínio e anseio voltar para a minha utopia. Ouço a gata a arranhar o novo dia e sei que tenho que fazer o mesmo. Rendo-me à minha rotina pois sem ela ainda é mais difícil concentrar-me nesta árdua missão de acordar. Apesar de tudo, de manhã é quando sinto mais energia ao contrário de outrora, em que as únicas forças que me pertenciam eram concentradas na vontade de não existir.
Contudo, no decorrer do dia, sinto-me a desvanecer. Um ardor no olhar persegue-me continuamente, desejo com intensidade voltar à penumbra para não ter fazer este esforço hercúleo de manter os olhos abertos. A realidade à vista. O meu coração balança com a precaução de uma criança a andar de baloiço pela primeira vez, no entanto, perde-se numa confiança exasperada ao mínimo movimento que faço. 
Lá está ele outra vez. O pôr-do-sol. Todos os dias tenho finais novos. Por vezes, tímido, vai espreitando entre nuvens. Outras apresenta-se em todo o seu fulgor e luminescência. Não tenho preferência pelo seu visual, apenas quero acompanhar o seu desaparecer. Lento e rápido em simultâneo, tão supérfluo para todos, mas deixando saudade no seu rasto. Tal como o meu.

26.3.20

16.3.20

Desespero.

O medo consome-me. Vou deambulando pela rua deserta de almas. Sei que é uma questão de tempo até a minha existência deixar este local. O vento intensifica-se, no entanto, esta sensação de sufoco torna-se superior. Sinto-me enclausurada na angústia de esperar pelo inevitável. Risos maníacos surgem do meu epicentro enquanto acordo na ilusão de que talvez tenha sido um pesadelo demasiado credível. Quando me apercebo que o riso é a expressão do desespero abominável então perco as forças. A realidade é tão mais dura quando ganhamos consciência. Muitos poderão invejar esta permissão de liberdade, esta personificação de tranquilidade. Ainda assim só me apetece correr, fugir, gritar, chorar. Estou farta. Por norma sou boa a fingir, mas neste caso tamanho teatro desgasta-me. Sinto a hipocrisia a corroer-me por dentro. Só quero que tudo acabe. Para o bem ou para o mal. só quero ser a regra e não a excepção. Fantasmas irreconhecíveis ludibriam a minha vontade, persistem na manipulação, e o pior é que eu sou apenas uma sombra cansada no interior do vazio e vou perdendo a lucidez do que é normal. Vou-me perdendo. E é apenas uma questão de tempo até a minha existência deixar este local, para sempre.


19.2.20

sem rumo.

Permito-me a divagar na inocência que transborda do seu curso. De forma cautelosa, desbravo o nevoeiro cerrado do desconhecido. Rumo alheada de obstáculos ou inimigos. Sou prudente. Tento acreditar que o destino estará próximo, mas sou ingénua. Meto-me sempre no barco sem remos e menosprezo os perigos. Sei que não padeço da ignorância que leva muitos ao fundo, nem tão pouco da ganância de ser o primeiro a chegar. Simplesmente sou apanhada pela ingenuidade da minha boa fé. Não me apercebo da quantidade de braços que existem e perco-me sempre nos errados. Ramificações que perduram e, por fim, desvanecem sem qualquer aviso. Sei que tenho de retroceder, vogar contra a maré, mas sofro por instantes. Deixo-me ancorar no desgosto desta ilusão. É provisório ainda que no momento pareça que escolhi a vocação errada. Talvez não seja feita para me aventurar em águas negras e obscuras. Talvez andar à bolina não seja a melhor opção, devia estar preparada com um leme estável, que me guie devidamente. Não é fácil esta vida náutica, para tantos outros parece ser uma sensação deslumbrante, sentir a pacatez da brisa na haste, o burburinho das ondas suaves contra o casco de uma embarcação sólida... Mas eu perco-me nos momentos mais tempestuosos. Restam-me os resistentes faróis que se esforçam por me dar uma réstia de coragem para não desistir deste mar turbulento. Talvez um dia também eu encontre o meu porto. Talvez.

13.2.20

cicatriz

Parece uma rotina. Noite após noite visita-me a dor exacerbada e apodera-se da mente exausta como se fosse a própria anfitriã desta festa impiedosa. Os olhos perdem-se na luz forte do ecrã enquanto o entretenimento vai desfilando sem qualquer importância ou interesse. É um som mudo desprovido de qualquer sentido, apenas para preencher uma lacuna sensorial. De repente, aquilo que era apenas um ruído de fundo quase imperceptível, converte-se num tumulto demasiado complexo e com um peso incrivelmente possante. A força com que a debilidade existe em mim é impressionante. Este oxímoro ardil que surge e me estrangula com tanta persistência que juro que vou morrer de tão fraca que me sinto. Traçam-me o rosto quentes lágrimas, abundantemente e sem qualquer destino, criando um mapa ilegível. Também no meu rosto sinto um certo rubor e os meus lábios efervescem. Sinto que deveria ser o oposto, que deveria envolver-me uma sensação gélida que reflicta este estado de apatia, de efectivamente ir deixando de existir.
O tom da minha caligrafia acentua-se e agora observo que até a ponta da caneta consegue ter mais força para suportar o peso das minhas palavras. Palavras que cortam a pele mais delicada, confundem mentes débeis, atacam corações imperfeitos. Tão imperfeitos que acabam por parar...
Para mal de mim, o meu persiste em bater por cada vez que pára. Não há forma de libertação deste monstro que mantém uma cumplicidade obcecada com o meu frágil pensar. 
Diariamente tento camuflar a dor com sorrisos forçados, sarcasmos ditos da boca para fora ignorando o sofrimento interior. É como passar corrector por uma palavra mal escrita, acentuando a cicatriz da parte de trás, conferindo-lhe ainda maior valor e significado, mas ausente de acção. Tento convencer-me que o tempo irá desgastar o papel em que foi escrita, mas hoje choro. Sou fraca.

8.2.20

asleep.

O despertador esquarteja-me com a potência de um trovão. Deixo-o mudo lutando para não abrir os olhos. A realidade espreita pela varanda sem qualquer pudor e faço um esforço hercúleo para não me deixar levar por ela. Quero permanecer aqui, nas trevas do subconsciente. É mais bizarro, mas ainda assim faz-me sentir mais segura. Lá fora é tudo tão instável e com consequências devastadoras. Sinto os sons do exterior a sugarem-me deste estado de êxtase que abraço sofregamente. Não quero ir. Neste nevoeiro de pensamentos incertos sinto um conforto maior. O meu corpo torna-se um inimigo da minha vontade e insiste em espreguiçar-se para novos horizontes, tento combatê-lo desesperadamente. Sinto-me impotente. Não quero acordar. Não quero viver.


1.9.19

I'm scared.

I've never fallen from quite this high.

4.8.19

vazio.

Parece uma rotina. Algo tão quotidiano quanto o despertador que esquarteja o sono profundo. Noite após noite chega o momento em que a dor exacerbada se apodera da mente exausta. Os olhos perdem-se na luz forte do ecrã enquanto o entretenimento vai desfilando sem qualquer importância ou interesse. É um som mudo desprovido de qualquer sentido, apenas para preencher uma lacuna sensorial. De repente, aquilo que era apenas um ruído de fundo quase imperceptível, converte-se num tumulto demasiado complexo e com um peso incrivelmente possante. A força com que a debilidade existe em mim é impressionante. Este oxímoro ardil que surge e me estrangula com tanta persistência que juro que vou morrer de tão fraca que me sinto. Traçam-me o rosto quentes lágrimas, abundantemente e sem qualquer destino, criando um mapa ilegível. Também no meu rosto sinto um certo rubor e os meus lábios efervescem. Sinto que deveria ser o oposto, que deveria envolver-me uma sensação gélida que reflicta este estado de apatia, de efectivamente ir deixando de existir.

3.8.19

and I feel so lonely.


“And the danger is that in this move toward new horizons and far directions, that I may lose what I have now, and not find anything except loneliness.” 
― Sylvia Plath

12.7.19

trovoada.

O rugir intensivo da trovoada sobressalta-me com constantes arrepios. É só mais um dos tantos medos que assolam o espírito frágil. Estes raios estridentes de luz que rasgam a penumbra a seu belo prazer e sem qualquer sentido de forma ou direcção recordam-me o quanto se assemelham aos pensamentos sombrios que me fazem estremecer sem qualquer aviso prévio. Recortes voláteis de terror que emergem do esconderijo mais recôndito e obscuro do meu cérebro e me entorpecem os sentidos. A letárgica apatia que costuma pairar sem esforço é incomodada por este tumulto torrencial e, tal como na natureza, toda esta pressão exerce sobre mim um lamento que precipita abundantemente. Sinto o peso mórbido de cada suspiro e tento atenuar a tempestade que me desmorona, no entanto, tudo é transitório e amanhã já a trovoada terá desaparecido, ainda que me reste erguer os destroços de outrora.

23.6.19

Deep in the cell of my heart.

Um vislumbre perante tamanha multidão implantou um esgar petrificado no meu rosto. Apesar da timidez da ocasião, percorri a sala em busca da confirmação da tua identidade. O tempo que nos separara era imensurável e o vazio que preenchera desde então tornara o teu ser uma mera miragem. O reencontro inesperado surgira e o sorriso enviesado que em tempos me apaixonara estava ali outra vez. Uma amálgama de sinestesias reacendia os meus sentidos e fazia o palpitar dentro do meu peito mais acelerado, mais pesado. Fora como uma cena que vemos naqueles filmes antigos que os nossos avós mencionavam saudosamente. Passados estes anos também tu eras uma lembrança de outrora. Serias real? Não seriam as recordações daquele lugar familiar a atraiçoar-me a lucidez da realidade? Não serias uma ilusão distorcida como as tantas que o meu coração míope me fizera crer nos momentos após nos separarmos? A improbabilidade era então desmistificada pelo teu próprio sobressalto, eras mesmo tu e trazias à deriva todos os fantasmas agonizantes do passado contigo...

19.1.19

Pretty much.

All the women
in me
are tired.

- Nayyirah Waheed.