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9.6.20
8.4.20
27.3.20
Everyday is silent and grey.
De súbito, a aurora dilacera-me. A minha cabeça lateja sem cessar um dia que seja. Recordo com curiosidade e alguma saudade todos os sonhos que me envolveram enquanto os olhos me trancavam da realidade. Abstracções umas atrás das outras, sinto-me perdida no fascínio e anseio voltar para a minha utopia. Ouço a gata a arranhar o novo dia e sei que tenho que fazer o mesmo. Rendo-me à minha rotina pois sem ela ainda é mais difícil concentrar-me nesta árdua missão de acordar. Apesar de tudo, de manhã é quando sinto mais energia ao contrário de outrora, em que as únicas forças que me pertenciam eram concentradas na vontade de não existir.
Contudo, no decorrer do dia, sinto-me a desvanecer. Um ardor no olhar persegue-me continuamente, desejo com intensidade voltar à penumbra para não ter fazer este esforço hercúleo de manter os olhos abertos. A realidade à vista. O meu coração balança com a precaução de uma criança a andar de baloiço pela primeira vez, no entanto, perde-se numa confiança exasperada ao mínimo movimento que faço.
Lá está ele outra vez. O pôr-do-sol. Todos os dias tenho finais novos. Por vezes, tímido, vai espreitando entre nuvens. Outras apresenta-se em todo o seu fulgor e luminescência. Não tenho preferência pelo seu visual, apenas quero acompanhar o seu desaparecer. Lento e rápido em simultâneo, tão supérfluo para todos, mas deixando saudade no seu rasto. Tal como o meu.
26.3.20
19.2.20
sem rumo.
Permito-me a divagar na inocência que transborda do seu curso. De forma cautelosa, desbravo o nevoeiro cerrado do desconhecido. Rumo alheada de obstáculos ou inimigos. Sou prudente. Tento acreditar que o destino estará próximo, mas sou ingénua. Meto-me sempre no barco sem remos e menosprezo os perigos. Sei que não padeço da ignorância que leva muitos ao fundo, nem tão pouco da ganância de ser o primeiro a chegar. Simplesmente sou apanhada pela ingenuidade da minha boa fé. Não me apercebo da quantidade de braços que existem e perco-me sempre nos errados. Ramificações que perduram e, por fim, desvanecem sem qualquer aviso. Sei que tenho de retroceder, vogar contra a maré, mas sofro por instantes. Deixo-me ancorar no desgosto desta ilusão. É provisório ainda que no momento pareça que escolhi a vocação errada. Talvez não seja feita para me aventurar em águas negras e obscuras. Talvez andar à bolina não seja a melhor opção, devia estar preparada com um leme estável, que me guie devidamente. Não é fácil esta vida náutica, para tantos outros parece ser uma sensação deslumbrante, sentir a pacatez da brisa na haste, o burburinho das ondas suaves contra o casco de uma embarcação sólida... Mas eu perco-me nos momentos mais tempestuosos. Restam-me os resistentes faróis que se esforçam por me dar uma réstia de coragem para não desistir deste mar turbulento. Talvez um dia também eu encontre o meu porto. Talvez.
8.2.20
asleep.
O despertador esquarteja-me com a potência de um trovão. Deixo-o mudo lutando para não abrir os olhos. A realidade espreita pela varanda sem qualquer pudor e faço um esforço hercúleo para não me deixar levar por ela. Quero permanecer aqui, nas trevas do subconsciente. É mais bizarro, mas ainda assim faz-me sentir mais segura. Lá fora é tudo tão instável e com consequências devastadoras. Sinto os sons do exterior a sugarem-me deste estado de êxtase que abraço sofregamente. Não quero ir. Neste nevoeiro de pensamentos incertos sinto um conforto maior. O meu corpo torna-se um inimigo da minha vontade e insiste em espreguiçar-se para novos horizontes, tento combatê-lo desesperadamente. Sinto-me impotente. Não quero acordar. Não quero viver.
19.10.19
2.10.19
1.9.19
28.7.19
28.6.19
23.6.19
Deep in the cell of my heart.
Um vislumbre perante tamanha multidão implantou um esgar petrificado no meu rosto. Apesar da timidez da ocasião, percorri a sala em busca da confirmação da tua identidade. O tempo que nos separara era imensurável e o vazio que preenchera desde então tornara o teu ser uma mera miragem. O reencontro inesperado surgira e o sorriso enviesado que em tempos me apaixonara estava ali outra vez. Uma amálgama de sinestesias reacendia os meus sentidos e fazia o palpitar dentro do meu peito mais acelerado, mais pesado. Fora como uma cena que vemos naqueles filmes antigos que os nossos avós mencionavam saudosamente. Passados estes anos também tu eras uma lembrança de outrora. Serias real? Não seriam as recordações daquele lugar familiar a atraiçoar-me a lucidez da realidade? Não serias uma ilusão distorcida como as tantas que o meu coração míope me fizera crer nos momentos após nos separarmos? A improbabilidade era então desmistificada pelo teu próprio sobressalto, eras mesmo tu e trazias à deriva todos os fantasmas agonizantes do passado contigo...
31.5.19
22.5.19
23.3.19
2.2.19
17.1.19
bad boy love is good for nothing...
Good girls wanna change bad boys
Bad boys wanna break good girls
Oh what a thing to do
To give it all to you
Oh what a thing to do...
14.1.19
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