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7.9.18

I just hate this so much.

Odeio sentir-me tão vulnerável. Odeio ter noção que tenho uma mente fraca e que sou facilmente controlada pelo pessimismo. Odeio desatar a chorar a meio da noite. 
Parece estar tudo a correr tão bem, mas não está. Pensei que sair de casa deles e ter o meu próprio espaço facilitaria. Mas esta cidade relembra-me todos os dias que os perdi. E aqui estou eu, sozinha, mais uma vez a ouvir a música que me acompanhou em noites consecutivas de choro compulsivo, tal como neste momento. 
Como é que é possível continuar a sentir tanta dor dentro de mim? 

10.5.18

de mal a pior.


É impressionante (e de certa forma triste) a maneira como eu já consigo perceber que estou à beira de um ataque de choro... Neste momento estou a meio de um e para além do stress e cansaço que tenho sentido nas últimas semanas por variados motivos, hoje foi um daqueles dias em que me virei para a comida da maneira errada, em que tentei entreter o meu cérebro ao máximo para evitar isto e sei lá... 
Para além de tudo o que tem acontecido ultimamente e que nem tem aparecido no blog porque já cá não ponho os pés (as mãos?) há praticamente um mês, já ando a sofrer por antecipação em relação ao futuro que, mais uma vez vai ser incerto... 
O facto de na próxima segunda-feira ficar mais velha um ano também não facilita, porque é mais um ano que muitos dos objectivos ditos normais de vida (trabalho, casa, namorado, etc.) ainda não foram cumpridos e sabe-se lá quando serão... it sucks. 
No sábado encontrei-me com a M. e sei que com ela posso ter conversas mais profundas que não são comuns de se ter com qualquer amigo e demos por nós a comentar que o nosso problema é pensar demasiado, que a maioria das pessoas não parece pensar tanto ou deixar-se afectar tanto pelos seus pensamentos, que provavelmente a ignorância é realmente a melhor maneira de se ser feliz porque simplesmente não há margem para prever o que pode correr mal ou dar importância a sentimentos menos bons e isso permitir uma espontaneidade positiva... Para dar um exemplo muito simples disto, a maioria das pessoas da nossa idade já apanhou uma bebedeira de não se lembrar nada no dia seguinte e nós nunca conseguimos chegar a esse ponto porque 1. não achamos que precisemos de álcool para nos divertirmos mas, acima de tudo, porque não conseguimos perder esse auto-controlo, é-nos demasiado assustador imaginar todas as possibilidades do que poderá acontecer e acho que grande parte da população da nossa idade nem sequer pensa nisso... E como este exemplo tantos outros... 
Enfim, já escrevi isto tudo e continuo aqui que nem uma madalena arrependida porque estes ataques são uma bola de neve e começo a chorar por um ou dois motivos e quando me apercebo já tenho tantas outras coisas que me deixam em baixo na cabeça... Não sei como lidar com isto, ir dormir também não é a melhor opção porque depois é como se me quisesse cada vez mais refugiar neste estado inconsciente e às tantas o meu cérebro já me começa a pedir um sono permanente e aí é quando bato no fundo mesmo... 
Em relação a coisas boas, vamos lá ver... recomendei e vendi um livro da Beatrix Potter a uma senhora que ficou muito feliz (e eu também!), hoje consegui desenrascar-me com um senhor que queria encomendar um livro em francês e eu não estava a perceber patavina do que ele dizia, mas consegui não demonstrá-lo e fazer a encomenda do livro que o senhor queria (oui oui!!), tive conversas cultas com dois clientes, uma sobre Kotler na secção de gestão de empresas e outra sobre prémios nobel quando vendi um livro de Haruki Murakami a um cliente habitual (yeay me!), entre outras coisas que têm corrido bem na livraria e que em vez de me deixarem feliz e orgulhosa ainda me deixam mais frustrada e triste por tudo isto terminar no final de junho... Bah, vou mas é deixar de escrever por hoje, vemo-nos daqui a um mês outra vez...

18.3.18

enjoy the show.


I'm just a little girl lost in the moment
 I'm so scared but I don't show it 
I can't figure it out, it's bringing me down 
I know I've got to let it go and just enjoy the show

10.3.18

note to self.

you deserve this. you deserve happiness. so please don't get discouraged. nothing bad is going to happen.

1.3.18

fear doesn't shut you down, it wakes you up.


O medo sempre me tornou uma pessoa ansiosa, nervosa, receosa de tudo e todos. Foi-se acumulando em mim e apoderando a minha maneira de pensar e consequentemente de ser, alterando as minhas acções a seu belo prazer obrigando-me a dar a cara por ele e a sofrer com as consequências da sua influência na minha vida. Sempre me senti uma marioneta de mim própria, de uma voz interior que se sobrepunha a tudo o resto e deformava a minha personalidade. Fui-me tornando numa pessoa fraca e desistente de tudo aquilo que me metia medo, da mudança, da novidade, do desconhecido. Contornava situações, evitava pessoas e isolava-me da minha própria existência. 
Apesar de continuar a sentir essa ansiedade serpentear pelo meu corpo aquando confrontada pelas mesmas circunstâncias, hoje em dia vou tentando incutir em mim uma mentalidade oposta. É um jogo de forças no qual eu tenho que vencer. O medo não me deita abaixo, acorda-me. Faz-me querer espreitar por cima do muro alto da incerteza e vislumbrar toda uma paisagem de possibilidades. O que for será, mas hoje, hoje é um dia bom, um dia feliz. E se assim é, foi porque me sobrepus a esse medo e enfrentei pessoas e lugares novos que me assustavam de maneira inacreditável e incompreensível. Noutra altura tenho a certeza que não teria saído da minha zona de conforto e me deixaria debater por todas as questões duvidosas que o medo me colocaria na cabeça. Neste momento sei que ainda há um turbilhão de pequenas lutas a enfrentar, mas também sei que à medida que as luto e as vou vencendo, também me vou tornando mais forte. Não foi fácil, tive muitos momentos em que me deixei dominar pelos medos e pelas dúvidas, chorei bastante, por vezes senti-me derrotada, tremi muito, transpirei imenso, e o meu coração podia ter corrido uma maratona, mas compensou. Podia não ter compensado e teria que encarar na mesma como uma vitória e não como uma derrota, porque tentei. E prefiro saber que podia ter perdido a tentar do que simplesmente não ter tentado e ter perdido na mesma... Porque a vida é assim mesmo e o mundo é um lugar injusto em que muitas vezes o sentimento de solidão é maior pelo simples facto de que se não formos nós a ir à luta da nossa felicidade e do nosso bem-estar, mais ninguém irá... Felizmente foi uma vitória em ambos os sentidos. No sentido de que tentei e isso por si só já foi enorme, mas acima de tudo no sentido em que essa tentativa deu frutos e fui recompensada com um sim. E que venha ele! Estou tão nervosa, mas tão feliz que quase nem quero saber de mais nada a não ser de que finalmente vou ter algo que já queria há muito tempo... Vou viver!

Becoming fearless isn't the point.
That's impossible.
It's learning how to control your fear,
And how to be free from it.
- V. Roth, Divergent

3.2.18

só mais esta.

com todas as letras da letra toda.

sigh.

Tive que parar de estudar para vir aqui descarregar o turbilhão de sentimentos que me estão a agitar neste momento... (as usual...)


But I wasn't ready then, and I'm still not...

Tenho sentido os níveis de stress aumentar substancialmente à medida que o tempo passa e sinto que Março está quase aí. E com ele a enorme responsabilidade de ter um emprego e todos os cenários que daí advêm. A sensação de estar a falhar em todos os aspectos da minha vida é constante e neste momento sinto-me à beira de um ataque de pânico porque sei que estou a criar demasiada pressão em mim própria face a coisas que neste momento ainda me são completamente desconhecidas. E isso por si só já é um motivo para eu andar tão nervosa... A vontade de sair deste sítio é maior do que nunca, mas já sinto as garras do conformismo a prender-me a força de vontade e a devorar-me a iniciativa que eu deveria estar a tomar em dar o primeiro passo... Parece tão fácil para os outros e, apesar da imensa vontade que sinto em ir, o medo é mais do que muito... Já estou a chorar e odeio-me ainda mais por isso, porque é a materialização do quão fraca sou, do quão fraca me sinto... Porque, para ser sincera, nos últimos tempos tenho-me sentido mesmo muito fraca, muito cansada... E eu sei que não é o cansaço normal porque já o senti antes e é o pior de cansaço que pode existir, é aquele que me leva até ao fundo do poço e me transforma no meu pior pesadelo. Só quero ter forças e coragem para enfrentar uma coisa que devia ser tão natural como respirar. Mas até isso custa ultimamente. Bah.

25.1.18

today is just one of those days...

Em que logo pela alvorada é uma batalha insuportável para abrir os olhos a uma realidade que não se quer presenciar. O sentimento de desistência reflecte-se na palidez e enregelamento da própria pele que sente dificuldade em ganhar qualquer tipo de conforto nas diversas camadas de roupa que afundam um espírito já por si só pesado... Um peso que se verifica no caminhar, no longo e vagaroso caminhar, que se arrasta por já não sentir o interesse e excitação de outrora. É difícil manter uma expressão dita normal, quanto mais compactuar com as exigências mínimas de sociabilização. São só rostos como tantos outros, máscaras que escondem tantos sentimentos desconhecidos tais como os meus. Mas os outros conseguem. Conseguem participar neste espectáculo que se chama vida e no qual eu não tenho qualquer vocação ou talento de representar. É todo um malabarismo de situações nas quais eu me sinto desajeitada apesar de tentar... Os espectadores riem-se e acham que foi propositado. Apesar de algum embaraço volto a tentar com mais afinco, mas os nervos fazem-me tropeçar e quase caio. Desperto um certo esgar de suspense, mas as gargalhadas permanecem. Reconheço então que, ao contrário de toda a seriedade e preocupação com que encaro a minha função, sou o palhaço de todo este circo. E surge em mim uma certa raiva, uma certa dor. Acima de tudo uma forte apatia por toda esta fantasia real a que chamamos vida. Em que por muito que se treine um ambicioso truque de ilusionismo ou se tenha o dom de domar as mais bestiais das feras, somos engolidos pelo julgamento dos demais e acabamos por cair do trapézio perdendo qualquer tipo de mérito ou reconhecimento pelo qual tanto se lutou...
Hoje foi só um dia infeliz, amanhã há mais.

So give me hope in the darkness that I will see the light 
Cause, oh, they gave me such a fright

31.12.17

It feels like I only go backwards.

I was trying really hard to focus on a positive mindset for the new year, the internet will probably come back, I was hoping to go to Porto and Aveiro for the only week I have free and everything seemed like it was finally getting into place, that I had an oppportunity to start the year on a good and happy note. And when I embraced that positive thought and didn't mind to get my hopes high, life had to fuck everything like usually... I woke up this morning with a freaking pain in my chest and back and I could barely breath... I started crying because of the stupid bad luck I have. I just hate that I can't control things, my things, I hate that I let myself into thinking that everything will be fine and then everything just gets worse... 
Now I'm in bed, in pj, listening and freaking out with all the fireworks because it reminds me of the explosions that happened during the fire, and I get this unsettling thought that any time soon something bad will happen... Like I'm not buried in shit already... I'm just so tired of everything going bad, I don't know how am I supposed to keep a positive mindset when I can't catch a break... I try to motivate myself and focus on the good things, but it's hard sometimes, specially when you try really hard to start over and fight for happiness but shit like sickness just keeps getting in the way... 
I know I can't compare myself to others, because everyone has to deal with their own problems, but honestly sometimes I can't stop myself from thinking that some people have everything and I wish I had half of it... 
Now while everyone goes celebrate the freaking new year I'll just go google how to not feel sorry for myself when everything sucks. Bye.

17.12.17

197.

I hate to be so weak… I hate that I miss them so much I can’t live properly and make them proud of me even though they’re not here anymore… I hate that I can’t overcome the loss of the only people that not only made me feel safe but also made me feel I could conquer my fears. I hate that our story is fading away as time passes. I hate that I keep overthinking supposed signs that keep appearing and I don’t know how to interpret them… I hate that I don’t have my grandparents wisdom and love to guide me through dark times anymore… I hate that I can’t be with them anymore and hug them so tight we could merge into only one soul. I hate that I miss them so much and I can’t do anything about it…


Há bocado encontrei este postal que me escreveste pelo meu oitavo aniversário... Dez anos antes de morreres, sem sequer poderes cumprir a tradição de me presenteares com os postais de anos mais bonitos e simbólicos do mundo no meu décimo oitavo aniversário, aquele que me lembro de ter sido o mais triste de sempre... Hoje encontrei este e desatei a chorar porque é inevitável não sentir tanta tristeza cada vez que me apercebo que não estás cá, que não é apenas a distância de quilómetros a separar-nos, mas sim uma distância para além de física... Mas também porque o nosso pinheiro mais cedo ou mais tarde será deitado abaixo... Aquele que me lembro de ter sido o meu primeiro e maior medo de sempre, que me preenchia as noites de pesadelos tumultuosos e acordavam as noites de cá de casa com gritos e lágrimas da minha parte e ninguém entendia porquê... Ninguém a não ser tu! Parece que foi ontem que te sentaste comigo e quiseres ter uma conversa séria comigo, uma conversa que se tornou num dos momentos de maior união e cumplicidade entre nós. Entendeste os meus medos, explicaste-me a importância da natureza, ajudaste-me a tornar um momento tão difícil num dos mais bonitos de sempre. Atribuíste o meu aniversário ao pinheiro e conferiste-lhe uma idade. Aquilo que era o maior monstro da minha vida tornou-se num dos nossos melhores amigos!
Infelizmente, esse que foi um dos maiores símbolos da nossa relação de avô-neta mais cedo ou mais tarde será abatido. A vida dele, tal como a tua, estará prestes a chegar ao fim e mais do que nunca lembro-me de ti... É como se a ausência deste pinheiro gigante fosse realçar ainda mais o impacto da tua ausência na minha vida. Uma ausência que custa tanto a suportar... 

4.12.17

Estou farta!!!!!!!

Estou farta de tudo! Estou farta de ter que depender de tudo e todos, para fazer o que seja, principalmente de depender dos meus medos! Estava tão entusiasmada com a formação e agora só vejo desvantagens nisto, só me está a trazer chatices e dores de cabeça! Passei a sexta e o fim-de-semana numa pilha de nervos porque a carta não veio a semana passada e hoje também não veio! Lá porque não tenho emprego não significa que não precise de tratar do resto da minha vida! Estou farta que as pessoas não se preocupem mais em ser profissionais e responsáveis e depois exijam isso dos outros, estou farta que não se cumpram prazos, que não se informe ninguém de nada, que seja tudo tratado de qualquer forma, não há regra nenhuma em nada e cada um anda à deriva da merda que os outros fazem! Estou farta de não ter coragem para nada e não conseguir ganhar o mínimo de independência que preciso! Estou farta de não ter controlo sobre nada de nada! Estou farta de sentir que só recuo quando todo o mundo parece andar para a frente, estou farta de sentir que preciso de mais e não conseguir fazer nada por isso! Estou farta de sentir que estou num colete de forças permanentemente e que estou no meio de uma multidão, com uns a empurrar-me para a frente, outros para trás e eu acabo por não sair do mesmo sítio e a ficar cada vez com menos espaço para respirar! Estou farta de ser tão fraca que à mínima coisa desato a chorar e a pôr-me ainda mais para baixo! Estou farta de me sentir enclausurada nesta terra que cada vez me diz menos e sentir-me cada vez mais longe da saída! Estou farta que esteja tudo tão errado comigo e eu não consiga corrigir nada! Estou farta de tudo, só quero poder carregar no botão de desistir e nem isso consigo... Quem me dera que amanhã não houvesse mais.

21.11.17

when you try your best, but you don't succeed

If you never try you'll never know 
Just what you're worth
...
O pior é quando tentamos, tentamos, tentamos, 
mas no fim só nos apercebemos que não valemos nada de nada, de nada, de nada...

11.11.17

currently reading.

Desde pequena que incuti em mim o negativismo. A força do não em todas as premissas do meu ser. Nas mais variadas situações com que era confrontada, desde dar os primeiros passos sozinha enquanto bebé ao pôr o pé no acelerador do carro em adulta, prevaleciam o “não sei, não consigo, não quero”. O medo de falhar foi-se acumulando com o passar dos anos tornando-me numa pessoa absolutamente receosa de tudo… na minha mente tornou-se mais aceitável evitar os confrontos naturais da vida do que simplesmente tentar e ver no que dava, porque o que dava podia ter um desfecho negativo que me iria deixar devastada. As expectativas de alcançar algo positivo tornaram-se cada vez mais altas e ao mesmo tempo mais assustadoras. Sentir que eu ia alcançar algo bom parecia tão impossível que mais valia nem sequer tentar. Uma vez alguém importante disse-me: “Voar é mais difícil… Mas a paisagem é esplendorosa!”. Apesar de ter essas palavras coladas numa parede do meu quarto, sempre me pareceu algo inconcebível, inatingível. Pelo menos para mim… Sempre que tento fazer algo que me faz sentir fora da minha zona de conforto, sinto-me como se de repente estivesse no topo do Burj Khalifa e me dissessem para voar, assim, do nada… Para qualquer um à minha volta o voar assume uma noção de deixar-me levar e ser bem sucedida, no entanto, para mim, o voar assume a conotação de saltar. E saltar implica cair. E nesse momento, nos meus pensamentos, uma queda não é só uma queda. É uma queda com toda a gente a ver e a julgar, uma queda com muitos tombos pelo meio em diversos obstáculos horríficos, uma queda com um chão repleto de espetos aguçados prontos a acentuar toda a minha dor. Dor essa que ainda nem comecei a sentir porque ainda não arredei pé do topo do edifício e do qual decido simplesmente virar costas, descer um andar e ficar à janela a ver toda uma possibilidade de coisas que eu simplesmente não encaro.
 Esta constante fuga impede-me de cair, mas também de voar. Impede-me de ver toda essa paisagem esplendorosa que espera por mim. Essa fuga impede-me de viver!

"The importance of knowing how to fall, remember? 
The important thing is not the fall, because falling is inevitable. 
The important thing is knowing how to get up again. 
And we'll get up again." 
The Truth About the Harry Quebert Affair, p. 249.

28.9.17

ansiedade antecipatória.

Toda a minha vida senti em inúmeras situações um medo enorme do novo, do inesperado, da mudança. Desde as mudanças de escola (básica para ciclo, ciclo para secundária, secundária para universidade), ter que interagir com pessoas desconhecidas, conhecer locais novos, enfrentar obstáculos naturais do crescimento inerente a um ser humano (conduzir, arranjar emprego, etc.). Todos estas situações nutriam em mim uma relutância enorme, a minha cabeça enchia-se de mil e um cenários que podiam levar a um desfecho terrível e isso fazia com que eu quisesse evitar e fugir de tudo aquilo que sentia que me podia fazer mal. No entanto, eu sempre tive plena consciência de que a maioria destas coisas eram coisas naturais de se ter que enfrentar, coisas pelas quais toda a gente passava na vida, eu tinha consciência de que eu própria não era menos que os outros para não as fazer, mas por algum motivo eu não conseguia tomar a iniciativa, o primeiro passo. E este motivo sempre foi algo que me meteu muita confusão, eu própria não entendia porquê que a minha mente assumia controlo das minhas acções ao ponto de não as querer realizar, tanto eu como as pessoas à minha volta explicávamos isto com inúmeros adjectivos: que eu era medricas, preguiçosa, desleixada, tímida, incapaz, anti-social, insegura, cobarde entre muitos outros que podem ter um bocadinho de influência, mas que ontem foi finalmente diagnosticado: ansiedade antecipatória.
Assim que a psicóloga disse estas palavras e explicou o conceito, tudo fez sentido na minha cabeça. Vim para casa, contei à minha mãe, pesquisei na internet, mas por algum motivo, só hoje de manhã é que isto realmente me despertou algo. E neste momento estou a escrever este texto e a chorar imenso, porque é tão estranho algo que me acompanhou a vida toda, mas que nunca fez muito sentido para mim porque não tinha noção da razão de ser desta minha maneira de pensar, de um dia para o outro ter-se tornado numa realidade concreta. Algo com um nome. Algo que existe de facto e que justifica completamente os meus comportamentos ao longo da vida. Mas, se por um lado me deixa aliviada finalmente saber aquilo que tomou conta da minha cabeça ao longo de 24 anos, por outro torna tudo tão mais assustador... E lá está, acho que isto é mais uma das reacções da ansiedade antecipatória, eu neste momento já estou com medo e a prever coisas que podem nunca acontecer pelo facto de eu sofrer disto, mas a verdade é que tenho medo e é terrível sentir que perco o controlo de tudo e de mim própria. 
Toda a gente me diz que é normal as pessoas terem medo, que uma mudança é assustadora para toda a gente, mas que se tem que enfrentar. No entanto o que para muita gente é normal, para mim simplesmente me paraliza. Para mim não faz sentido uma criança de 4º ano pedir aos pais para chumbar porque tem medo da nova escola, tem medo de mil e uma coisas que possam acontecer de mal. Não faz sentido eu ter medo de combinar saídas com a minha melhor amiga e (na maior parte das vezes inventei mil e uma desculpas para não estar com ela quando isso me fazia sentir a pior pessoa), porque simplesmente não conseguia enfrentar os mil e um cenários que surgiam na minha cabeça, o facto de existirem outras pessoas com quem eu não conseguia conversar, ou por irmos a um sítio novo e desconhecido, ou por simplesmente ter medo que ela já não quisesse ser mais minha amiga). Não faz sentido estar a fazer algo que gosto (por exemplo tocar bateria), mas cada vez que recebo uma nova música para tocar dizer logo que não consigo porque mil e um medos se apoderam de mim. Não faz sentido ambicionar ser alguém na vida e depois não conseguir fazer nada para realizar os meus sonhos e objectivos porque a minha cabeça se enche de tudo o que pode correr mal, de todas as pessoas que posso desiludir, de ter noção que realmente não sou capaz e isso simplesmente me impedir de tomar iniciativas que me fazem andar para a frente com a vida. 
Estes entre muuuuuitos outros exemplos, de grande relevância ou pequena, nunca fizeram sentido para mim, até ao dia de ontem... 

5.3.17

I want to be okay.

Tenho-me tentado manter forte, motivada, bem-disposta. Não neste momento... Um estrondoso sentimento de solidão apoderou-se de mim. E com ele as saudades... Sinto falta das pequenas coisas que me faziam feliz só porque sim. Do parque que me motivava a caminhar e sentir o peso largar-me aos poucos. Mais o psicológico que o físico, apesar de ajudar nos dois. Do sol, de um dia bonito e poder partilhá-lo com pessoas. Mesmo que desconhecidas. Sinto saudades de explorar e conhecer locais novos, fosse uma rua, um café rústico, um gato curioso...
E agora que penso nisso, que sinto uma falta tremenda dessas coisas, é irónico pensar que em tempos tive tanto medo de as enfrentar... Tinha receio de me perder, isolava-me do desconhecido e escondia-me da felicidade.
E o pior de me sentir tão em baixo, é o facto de não conseguir arranjar forças para procurar uma solução, o que quer que seja... O medo apodera-se de mim e a insegurança faz-me recuar. 
Sinto-me só, perdida, sem um sinal que seja que me guie... Sinto-me cansada deste cansaço oco.
Já não anseio aquilo que nunca tive, já só quero o que conheci e me fez feliz. 

“If there's one thing I've learned, it's this: We all want everything to be okay. We don't even wish so much for fantastic or marvelous or outstanding. We will happily settle for okay, because most of the time, okay is enough.”
- David Levithan, Every Day.

6.11.16

courage.

Este vai ser um longo e duro mês e eu preciso de começar a ser optimista em relação aos próximos tempos senão nada vai correr bem. Sem dúvida que o ponto mais alto vai ser a defesa do mestrado, estou absolutamente em pânico e, apesar de ainda ter cerca de 20 dias para me preparar, muita coisa se vai passar pelo meio a distrair-me, a preocupar-me, a cansar-me. Desde arrancar um siso, perder 2 quilos de forma saudável, ir a uma consulta de cirurgia plástica, devolver os equipamentos da NOS, ir a Aveiro encadernar os relatórios, fazer monitorização do peso, etc. eu estou completamente assustada e sem vontade de enfrentar tudo isto. Novembro, por norma, é um mês que eu até gosto muito, mas estou aterrorizada com o deste ano. O pior é que ainda nem começou e eu já estou com os pensamentos virados para o pessimismo, estar em casa não ajuda nada, há sempre gente, sempre barulho, sempre aquela sensação de demasiado conforto para me abstrair e concentrar-me em responsabilidades.
Preciso de me focar no importante, mesmo que não consiga concentrar-me no mês por inteiro, se me organizar semana a semana será tudo mais fácil. Ainda não ganhei coragem para começar a fazer o power point e treinar a apresentação e, tendo em conta que ter um discurso oral perante outros é o meu calcanhar de aquiles acumulado ao facto de ir arrancar um siso e ficar dias sem poder aproveitar para treinar, já devia estar a trabalhar nisso, mas a verdade é que ainda estou apavorada com a ideia de já ser este mês. Estive a arrumar o quarto de tarde, pelo menos o meu espaço está limpo e organizado, acho que isso é meio caminho andado para começar a semana com coragem para enfrentar tudo o que aí vem. 

18.9.16

it's okay!

Acordei com os olhos inchados e uma ligeira dor de cabeça. Ontem passei o dia todo de volta do relatório, só deixei por volta das 23h que foi quando me deitei, mas deixei feita uma lista de parâmetros que queria executar hoje no relatório. Já pintei as gavetas da secretária, já terminei de ler um livro, já apanhei figos, mas não consigo arranjar disposição para pegar hoje no relatório, sinto-me em baixo, nem tanto emocionalmente ou psicologicamente, mas sim intelectualmente, sinto-me casada do dia de ontem... o meu método de trabalho passa por fazer listas de tópicos que quero explorar, escrever tudo à mão, fazer sempre a pesquisa literária e, só depois disto, passar a computador e rever, fazer melhoramentos e alterações, etc. Sinto que faço sempre mais do que devia, talvez se escrevesse directamente no computador não me sentisse tão esgotada no fim e conseguisse até ser mais produtiva no sentido em que talvez conseguisse ter tempo de fazer mais e mais, mas a verdade é que não consigo... and that's okay! Prefiro saber que o que estou a fazer está a ser feito em condições ao olhar para a mesma frase várias vezes e tentar formulá-la o melhor que consigo, prefiro levar o meu tempo ainda que não consiga fazer mais do que gostaria, prefiro estar com a cabeça no sítio e disposição para enfrentar algo tão importante, exigente e de responsabilidade como é o relatório do mestrado. E se hoje não estou com estado de espírito para encarar essa realidade, não há problema! Prefiro deixar de lado e descansar ou distrair-me até voltar a sentir-me em condições de me sentar à secretária, do que ficar a remoer e a massacrar-me por não me conseguir concentrar e sentir-me culpada por achar que não estou a dar o meu melhor. Hoje é domingo, vou descansar, estar com a família, sorrir e aproveitar o sol. Tomorrow is a new day and hopefully I'll wake up with the right mindset! Amanhã há mais!