Enterro o pufe verde-ervilha no recanto mais solarengo da varanda. Desgastado não pelo passar dos anos, mas pela quantidade de furos que a Phoebe já fez, deixa-se abater no momento em que sente a aspereza do chão. Também o meu estado de espírito se sente lânguido. Com o maior zelo e delicadeza pego no livro emprestado e retomo a leitura. Ler ajuda a suportar tudo. Sempre ajudou. Deixo-me envolver em toda uma profusão de sinestesias que toda a experiência de leitura me proporciona para além da narrativa que, por si só, é incrível. Folheio cada página e subitamente estou no escritório do pai, o cheiro a tabaco embrenhado no papel remete-me para um local diferente que não este. Perscruto a minha atenção mais um pouco nas palavras de Marguerite. Enquanto isso reparo que a minha companhia felina se juntou a mim neste pacato lugar. Sorrio. Os extensos blocos de texto dactilografado transitam-me para tempos passados. É inevitável não interromper a leitura e ser avassaladoramente atacada com memórias nostálgicas de quem não volta mais. Os arrepios, talvez mais da saudade que do frio, trazem-me de volta à realidade e apercebo-me que o céu se tornou cinzento. Afasto as minhas memórias e agarro nas de Adriano. Desta vez procuro conforto no objecto mágico que é a antiga cadeira de baloiço recolhida dos esconsos esquecidos do sótão. E assim, na placidez da minha folga, me entretenho a percorrer o Império.
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