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26.5.20

farsa.

Que teatro, que fingimento, que falsidade! As personagens são dissimuladas em tudo, até ao mínimo respirar, ao insignificante piscar de olhos. As suas falas são puros momentos de calúnias compulsivas, motivadas por escândalos descomunais.
E são armadilhas, teias de rudeza tecidas por enormes aracnídeos da sociedade. Predadores de pequenos insectos que surgem neste mundo apenas com esse propósito. Serem comidos!
O tom da minha caligrafia acentua-se e agora observo que até a ponta da caneta consegue ter mais força para suportar o peso das minhas palavras. Palavras que cortam a pele mais delicada, confundem mentes débeis, atacam corações imperfeitos.
Cena após cena, a manipulação continua. No fim de todos os actos o público aplaude na sua ingenuidade, sem sequer desconfiarem do conteúdo escondido nas didascálias. Assim que a pesada cortina cai, é levantado o pó da realidade e, com ele, o choque da verdade. A irritabilidade por se ter caído nas manápulas do engano. A mágoa e desilusão por se ter confiado a vulnerabilidade própria num alguém desprezível. Infelizmente de farsas está a literatura repleta, esta será só mais uma a acumular...

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