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4.8.19

vazio.

Parece uma rotina. Algo tão quotidiano quanto o despertador que esquarteja o sono profundo. Noite após noite chega o momento em que a dor exacerbada se apodera da mente exausta. Os olhos perdem-se na luz forte do ecrã enquanto o entretenimento vai desfilando sem qualquer importância ou interesse. É um som mudo desprovido de qualquer sentido, apenas para preencher uma lacuna sensorial. De repente, aquilo que era apenas um ruído de fundo quase imperceptível, converte-se num tumulto demasiado complexo e com um peso incrivelmente possante. A força com que a debilidade existe em mim é impressionante. Este oxímoro ardil que surge e me estrangula com tanta persistência que juro que vou morrer de tão fraca que me sinto. Traçam-me o rosto quentes lágrimas, abundantemente e sem qualquer destino, criando um mapa ilegível. Também no meu rosto sinto um certo rubor e os meus lábios efervescem. Sinto que deveria ser o oposto, que deveria envolver-me uma sensação gélida que reflicta este estado de apatia, de efectivamente ir deixando de existir.

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