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10.5.18

de mal a pior.


É impressionante (e de certa forma triste) a maneira como eu já consigo perceber que estou à beira de um ataque de choro... Neste momento estou a meio de um e para além do stress e cansaço que tenho sentido nas últimas semanas por variados motivos, hoje foi um daqueles dias em que me virei para a comida da maneira errada, em que tentei entreter o meu cérebro ao máximo para evitar isto e sei lá... 
Para além de tudo o que tem acontecido ultimamente e que nem tem aparecido no blog porque já cá não ponho os pés (as mãos?) há praticamente um mês, já ando a sofrer por antecipação em relação ao futuro que, mais uma vez vai ser incerto... 
O facto de na próxima segunda-feira ficar mais velha um ano também não facilita, porque é mais um ano que muitos dos objectivos ditos normais de vida (trabalho, casa, namorado, etc.) ainda não foram cumpridos e sabe-se lá quando serão... it sucks. 
No sábado encontrei-me com a M. e sei que com ela posso ter conversas mais profundas que não são comuns de se ter com qualquer amigo e demos por nós a comentar que o nosso problema é pensar demasiado, que a maioria das pessoas não parece pensar tanto ou deixar-se afectar tanto pelos seus pensamentos, que provavelmente a ignorância é realmente a melhor maneira de se ser feliz porque simplesmente não há margem para prever o que pode correr mal ou dar importância a sentimentos menos bons e isso permitir uma espontaneidade positiva... Para dar um exemplo muito simples disto, a maioria das pessoas da nossa idade já apanhou uma bebedeira de não se lembrar nada no dia seguinte e nós nunca conseguimos chegar a esse ponto porque 1. não achamos que precisemos de álcool para nos divertirmos mas, acima de tudo, porque não conseguimos perder esse auto-controlo, é-nos demasiado assustador imaginar todas as possibilidades do que poderá acontecer e acho que grande parte da população da nossa idade nem sequer pensa nisso... E como este exemplo tantos outros... 
Enfim, já escrevi isto tudo e continuo aqui que nem uma madalena arrependida porque estes ataques são uma bola de neve e começo a chorar por um ou dois motivos e quando me apercebo já tenho tantas outras coisas que me deixam em baixo na cabeça... Não sei como lidar com isto, ir dormir também não é a melhor opção porque depois é como se me quisesse cada vez mais refugiar neste estado inconsciente e às tantas o meu cérebro já me começa a pedir um sono permanente e aí é quando bato no fundo mesmo... 
Em relação a coisas boas, vamos lá ver... recomendei e vendi um livro da Beatrix Potter a uma senhora que ficou muito feliz (e eu também!), hoje consegui desenrascar-me com um senhor que queria encomendar um livro em francês e eu não estava a perceber patavina do que ele dizia, mas consegui não demonstrá-lo e fazer a encomenda do livro que o senhor queria (oui oui!!), tive conversas cultas com dois clientes, uma sobre Kotler na secção de gestão de empresas e outra sobre prémios nobel quando vendi um livro de Haruki Murakami a um cliente habitual (yeay me!), entre outras coisas que têm corrido bem na livraria e que em vez de me deixarem feliz e orgulhosa ainda me deixam mais frustrada e triste por tudo isto terminar no final de junho... Bah, vou mas é deixar de escrever por hoje, vemo-nos daqui a um mês outra vez...

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