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25.1.18

today is just one of those days...

Em que logo pela alvorada é uma batalha insuportável para abrir os olhos a uma realidade que não se quer presenciar. O sentimento de desistência reflecte-se na palidez e enregelamento da própria pele que sente dificuldade em ganhar qualquer tipo de conforto nas diversas camadas de roupa que afundam um espírito já por si só pesado... Um peso que se verifica no caminhar, no longo e vagaroso caminhar, que se arrasta por já não sentir o interesse e excitação de outrora. É difícil manter uma expressão dita normal, quanto mais compactuar com as exigências mínimas de sociabilização. São só rostos como tantos outros, máscaras que escondem tantos sentimentos desconhecidos tais como os meus. Mas os outros conseguem. Conseguem participar neste espectáculo que se chama vida e no qual eu não tenho qualquer vocação ou talento de representar. É todo um malabarismo de situações nas quais eu me sinto desajeitada apesar de tentar... Os espectadores riem-se e acham que foi propositado. Apesar de algum embaraço volto a tentar com mais afinco, mas os nervos fazem-me tropeçar e quase caio. Desperto um certo esgar de suspense, mas as gargalhadas permanecem. Reconheço então que, ao contrário de toda a seriedade e preocupação com que encaro a minha função, sou o palhaço de todo este circo. E surge em mim uma certa raiva, uma certa dor. Acima de tudo uma forte apatia por toda esta fantasia real a que chamamos vida. Em que por muito que se treine um ambicioso truque de ilusionismo ou se tenha o dom de domar as mais bestiais das feras, somos engolidos pelo julgamento dos demais e acabamos por cair do trapézio perdendo qualquer tipo de mérito ou reconhecimento pelo qual tanto se lutou...
Hoje foi só um dia infeliz, amanhã há mais.

So give me hope in the darkness that I will see the light 
Cause, oh, they gave me such a fright

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