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11.11.17

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Desde pequena que incuti em mim o negativismo. A força do não em todas as premissas do meu ser. Nas mais variadas situações com que era confrontada, desde dar os primeiros passos sozinha enquanto bebé ao pôr o pé no acelerador do carro em adulta, prevaleciam o “não sei, não consigo, não quero”. O medo de falhar foi-se acumulando com o passar dos anos tornando-me numa pessoa absolutamente receosa de tudo… na minha mente tornou-se mais aceitável evitar os confrontos naturais da vida do que simplesmente tentar e ver no que dava, porque o que dava podia ter um desfecho negativo que me iria deixar devastada. As expectativas de alcançar algo positivo tornaram-se cada vez mais altas e ao mesmo tempo mais assustadoras. Sentir que eu ia alcançar algo bom parecia tão impossível que mais valia nem sequer tentar. Uma vez alguém importante disse-me: “Voar é mais difícil… Mas a paisagem é esplendorosa!”. Apesar de ter essas palavras coladas numa parede do meu quarto, sempre me pareceu algo inconcebível, inatingível. Pelo menos para mim… Sempre que tento fazer algo que me faz sentir fora da minha zona de conforto, sinto-me como se de repente estivesse no topo do Burj Khalifa e me dissessem para voar, assim, do nada… Para qualquer um à minha volta o voar assume uma noção de deixar-me levar e ser bem sucedida, no entanto, para mim, o voar assume a conotação de saltar. E saltar implica cair. E nesse momento, nos meus pensamentos, uma queda não é só uma queda. É uma queda com toda a gente a ver e a julgar, uma queda com muitos tombos pelo meio em diversos obstáculos horríficos, uma queda com um chão repleto de espetos aguçados prontos a acentuar toda a minha dor. Dor essa que ainda nem comecei a sentir porque ainda não arredei pé do topo do edifício e do qual decido simplesmente virar costas, descer um andar e ficar à janela a ver toda uma possibilidade de coisas que eu simplesmente não encaro.
 Esta constante fuga impede-me de cair, mas também de voar. Impede-me de ver toda essa paisagem esplendorosa que espera por mim. Essa fuga impede-me de viver!

"The importance of knowing how to fall, remember? 
The important thing is not the fall, because falling is inevitable. 
The important thing is knowing how to get up again. 
And we'll get up again." 
The Truth About the Harry Quebert Affair, p. 249.

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