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12.2.16

cair.

Permaneço inerte. Tenho os olhos fechados e sei que de nada me adianta abri-los. Rodeia-me a densa penumbra neste local desconhecido. Sei que, agarrada às minhas costas, está uma parede gelada que se confunde com a própria aragem. Sinto-me derrotada e tenho noção que sair deste sítio não será fácil, senão mesmo impossível. Arrasto timidamente um pé e nesse mesmo instante descubro o imenso vazio que me espera. Sou prisioneira de mim própria e os meus pensamentos guiam-me por mundos demasiado terríveis. Começa a chover torrencialmente e sei que o chão que piso irá desabar muito brevemente. Talvez seja este o fim que me espera. A cabeça lateja com o eco da batida que me assola o peito, que me preenche de vibrações nervosas por todo o corpo. Estou exausta de lutar contra esta espera interminável. Subitamente e ainda de olhos fechados, deixo-me cair para o abismo infindável.

1 comentário:

Shinobu disse...

Acabei de ler algo que provavelmente encontraria num livro... isto se o livro fosse escrito por ti.
As vezes a ignorância é uma bênção, porque nada nos mantém mais felizes do que uma cabeça livre de pensamentos...