tento ver para além do cenário que se esbate no nevoeiro. salpicos de chuva criam um mapa de um lugar inexistente na janela do carro. nem me questiono se percorro o trajecto certo, apenas me deixo levar. reservo este momento de pura introspecção mais para me perder que para me encontrar. um carro passa ao meu lado, questiono-me quem lá vai, qual a sua história, o que temos em comum. o tracejado do solo tem um efeito hipnótico em mim. a chuva persiste e sei que é melhor assim, torna-me criativa. não quero chegar ao destino, sinto-me aconchegada no banco de trás e sei que posso deixar-me levar. inunda-me o som do rádio baixinho, um ruído triste, uma melodia familiar. não preciso de mais ninguém, estou bem só. tento convencer-me do significado dessas palavras ainda que não façam sentido. sou romântica, carente, mimada. preciso de alguém, preciso dele. um ele que já foi miragem em diversos corpos, poucos. e o veículo vai tombando com timidez. o começo já fica distante, a realidade dispersa-se em inúmeros pensamentos que me assolam de uma só vez. fico confusa. respiro com cautela e tento recordar o passado. porque me vim embora? de que fujo? não quero esmorecer. volto a observar quem passa por mim. incógnitas por resolver. tal como eu...
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