Páginas

13.10.15

desapego.

tento ver para além do cenário que se esbate no nevoeiro. salpicos de chuva criam um mapa de um lugar inexistente na janela do carro. nem me questiono se percorro o trajecto certo, apenas me deixo levar. reservo este momento de pura introspecção mais para me perder que para me encontrar. um carro passa ao meu lado, questiono-me quem lá vai, qual a sua história, o que temos em comum. o tracejado do solo tem um efeito hipnótico em mim. a chuva persiste e sei que é melhor assim, torna-me criativa. não quero chegar ao destino, sinto-me aconchegada no banco de trás e sei que posso deixar-me levar. inunda-me o som do rádio baixinho, um ruído triste, uma melodia familiar. não preciso de mais ninguém, estou bem só. tento convencer-me do significado dessas palavras ainda que não façam sentido. sou romântica, carente, mimada. preciso de alguém, preciso dele. um ele que já foi miragem em diversos corpos, poucos. e o veículo vai tombando com timidez. o começo já fica distante, a realidade dispersa-se em inúmeros pensamentos que me assolam de uma só vez. fico confusa. respiro com cautela e tento recordar o passado. porque me vim embora? de que fujo? não quero esmorecer. volto a observar quem passa por mim. incógnitas por resolver. tal como eu...

Sem comentários: