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16.4.15

epifanias

Todos os dias nos vemos obrigados a competir pela excelência, a ultrapassar obstáculos até atingir o topo, a modificar defeitos até atingir a perfeição. A verdade é que odeio a perfeição, odeio não por não a conseguir atingir, mas por ser algo quase exigido todos os dias não só pela sociedade que nos rodeia bem como por nós próprios, pela mentalidade de cada um. No fundo, a perfeição não existe sequer, muito menos nos seres humanos, sejam eles como forem, melhores nisto ou melhores naquilo, nunca são nem nunca serão perfeitos, estaremos longe de o ser. Persistimos em criticar os outros e nos auto-criticar, levando a crer que isso poderá melhorar algo em nós ou nos outros, quando há um conceito estereotipado sabe-se lá porquê ou por quem. Para ser sincera, o que estou a tentar transmitir com esta divagação é que cada um é como é, não percebo porquê que temos que ter "defeitos" ou porquê que têm que ter uma conotação tão negativa quando, no fundo, são características que nos definem, que nos dão identidade e personalidade. Olhamos para outras pessoas, reparamos nos traços ditos negativos e tentamos evitar sem sequer dar o benefício da dúvida, como se nós próprios fôssemos perfeitos ou melhores, quando são conceitos absolutamente abstractos e diferentes para cada um. A ironia de que temos que controlar tudo em nós, tudo no mundo, quando um dia vamos simplesmente desaparecer enquanto que o resto do mundo, mesmo aquilo em que não há vida, persiste.
Enfim, aqui fica o meu desabafo após me ter recriminado por ter cedido ao ímpeto de passar pelo McDonald's quando ando há coisa de um mês a saladas, sopas e fruta para tentar melhorar (entre outras coisas como a saúde) os ditos defeitos estereotipados sabe-se lá porquê ou por quem.

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