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25.3.15

insomnia.

O mundo acalma e o ar arrefece. Um bocejo surge do mais profundo abismo dentro de mim. A escuridão apodera-se de corpos fatigados, vidas exaustas de viver. No entanto, o meu subconsciente hoje não anseia por brincar comigo, castiga-me de forma revoltante. Permaneço inerte em busca de algo que teima em não vir. Mais um bocejo. Sinto uma névoa de breve adormecimento nos meus olhos, mas logo de seguida espevitam-se com uma sombra qualquer. Mesmo na penumbra as sombras persistem. A minha mente segue agitada com pormenores que o dia-a-dia não consegue decifrar. Vou tentar uma música suave, apenas instrumental... não, nada! Fiquei inspirada para escrever, quem sabe se ao abandonar tudo o que possui a minha cabeça, esta não voe para outras dimensões. De jeito algum... as assombrações do passado compactuam com as incertezas do futuro e eu envolvo-me nos meus membros em busca de reconforto. Sono onde estás tu? Questiono incessantemente à medida que os minutos descarrilam em horas somadas. Já não sei mais o que tentar para combater isto... as palavras continuam a escorrer como se dentro de mim não houvesse mais espaço para elas. Sinto-me repleta de energia e ao mesmo tempo saudade de dormir. Tento manter-me imóvel, esbater-me no cenário, confundir-me com o momento e, quando dou por mim, estou outra vez a espreguiçar-me tanto quanto consigo, tentando alcançar o inatingível. Talvez a noite que insiste em passar sem me levar com ela...

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